terça-feira, 19 de outubro de 2010

Noites Maldormidas: mente lenta, reflexos baixos

Apenas uma noite sem dormir já é suficiente para que se observe um grande aumento dos níveis de dopamina no cérebro, cuja função é ajudar a pessoa a se manter acordada. Esta relação entre dopamina e privação do sono foi demonstrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos, em artigo no Journal of Neuroscience.

Reflexos baixos, mente lenta
Segundo os cientistas, o aumento da liberação deste neurotransmissor excitatório parece compensar os efeitos negativos da falta de sono, de forma semelhante aos efeitos da anfetamina, droga usada por algumas pessoas para diminur a sonolência e a fadiga. Por outro lado, os indivíduos com maior liberação de dopamina foram os que se saíram pior nos testes psicomotores e cognitivos no dia seguinte ao experimento. O estudo foi feito com 15 voluntários, nos quais metade passou a noite acordada e metade (grupo controle) dormiu.
Os voluntários também passaram por tomografia por emissão de pósitron. Os resultados indicam que as estruturas cerebrais mais afetadas foram o estriado - associado a motivação e recompensa - e o tálamo, responsável pelo alerta. Segundo os pesquisadores, estes resultados se referem apenas à privação aguda de sono e não permitem concluir nada sobre a privação crônica, mais compatível com a realidade dos tempos modernos, e que é objeto de futuras pesquisas do grupo.

Virando noites
Se pensarmos isso em relação às noites viradas para resolver projetos, criar apresentações, estudar para provas e exames, podemos perceber, neurocientificamente falando, o grau de depleção cognitiva (diminuição da capacidade de compreender e instrumentalizar conhecimentos) ao qual nos arriscamos tendo esse tipo de "costume". 

Questões culturais e perspectivas funcionais
Quando tendemos a criar, para nós, o hábito de estudar em cima da hora, virar noites tentando apreender em algumas horas conteúdos que foram passados durante semanas ou meses, estamos correndo o sério risco de não termos, na hora de colocarmos nossos conhecimentos à prova, a mesma habilidade que teríamos em organizá-los e concatená-los logicamente, caso tivéssemos sedimentado esse conhecimento ou ao menos tido uma noite proveitosa de sono.

Reza a lenda urbana que é característica do brasileiro procrastinar - deixar tudo para a última hora -, mas em se tratando de provas, concursos, apresentações ou defesas de trabalhos, teses e questões estratégicamente relevantes para o seu futuro profissional ou educacional, pode não ser a melhor das opções perder diferenciais importantes como a flexibilidade e a agilidade intelectual. Se organize e procure sempre manter-se em dia tanto nas tarefas quanto no estudo e no descanso.

Por Renato Kress
Diretor do Instituto ATENA

Dicas:
ABC da Saúde, insônia

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